O que é “vibe coding” e como ele muda o desenvolvimento de software
julho 3, 2026 · Fabiano Kimura
Vibe coding é criar software conversando com a inteligência artificial — você descreve o que quer, em português, e a IA escreve o código, em vez de um programador digitar linha por linha. O termo foi cunhado em fevereiro de 2025 por Andrej Karpathy, ex-diretor de IA da Tesla e cofundador da OpenAI, e virou rapidamente um dos assuntos mais comentados da tecnologia. Neste post explicamos o que é de verdade, o que muda para quem tem uma empresa e, principalmente, os cuidados que ninguém pode pular.
A ideia, em uma frase
Karpathy resumiu o espírito assim: você “se entrega totalmente às vibrações, abraça os exponenciais e esquece que o código existe” — como o MIT Technology Review registrou logo que o termo pegou. Na prática, ele descreveu como programa hoje em dia: fala em voz alta o que quer, aceita as mudanças que a IA sugere e, quando aparece um erro, só cola a mensagem de volta para a IA resolver — sem ler o código linha a linha. Ou seja: a intenção substitui a digitação. Para muita gente, isso soou libertador. Para quem cuida da tecnologia de uma empresa, soou um alerta.
Vibe coding não é a mesma coisa que “usar IA para programar”
Aqui mora uma confusão comum — e importante para você, gestor, entender. Uma coisa é usar inteligência artificial para acelerar o trabalho de um programador que revisa, testa e entende cada trecho antes de colocar no ar. Outra, bem diferente, é o vibe coding no sentido original: aceitar o que a IA gerou sem checar. O programador Simon Willison, referência no assunto, defende essa distinção com uma regra simples: só é responsável o código que alguém consegue explicar a outra pessoa depois de pronto. Se ninguém consegue explicar, é vibe coding “no sentido puro” — e é aí que mora o risco.
O que isso muda na prática
Quando bem usado (com revisão), o vibe coding — ou melhor, a programação acelerada por IA — já muda a rotina de quem desenvolve software:
- Protótipos e ferramentas internas nascem muito mais rápido, às vezes em horas em vez de semanas.
- Pessoas sem formação técnica conseguem montar pequenas automações para o próprio time — uma planilha inteligente, um robô simples, uma página de cadastro.
- Times de tecnologia gastam menos tempo digitando e mais tempo pensando na solução: o que o negócio precisa, como deve funcionar, o que pode dar errado.
Para uma PME, isso é uma notícia genuinamente boa: menos barreira para tirar uma ideia do papel. O problema começa quando a rapidez vira desculpa para pular a revisão.
Os riscos que a euforia esquece
Aceitar código gerado por IA sem revisão humana tem um custo, e ele não aparece no dia do lançamento, aparece depois. Um levantamento de segurança da Cloud Security Alliance, reunindo testes da Veracode em mais de 100 modelos de IA, encontrou que quase metade das amostras de código gerado por IA introduziu falhas de segurança conhecidas — boa parte delas em proteções básicas contra invasão. Traduzindo para o dia a dia: um sistema criado “no vibe”, sem ninguém checando, pode vazar dados de clientes, abrir uma porta para invasores ou simplesmente parar de funcionar sem ninguém saber consertar. Não é motivo para descartar a tecnologia, é motivo para usá-la com critério.
Dívida técnica: a conta que chega depois
Existe outro risco, menos falado, mas igualmente caro: a chamada dívida técnica (você pode conferir esse e outros termos no nosso glossário de TI para empresas). É o nome que a área de TI dá para todo atalho tomado hoje que vira retrabalho amanhã — código que ninguém entende direito, sem documentação, remendado várias vezes por IAs diferentes. Cada remendo funciona sozinho, mas o conjunto vira um quebra-cabeça que nenhum profissional consegue manter com segurança. Quando esse sistema precisa crescer, integrar com outro, ou simplesmente parar de dar erro, o custo de arrumar costuma ser bem maior do que teria sido fazer certo desde o início.
Cuidados essenciais se a sua empresa for experimentar
Vibe coding não precisa ser proibido — precisa ser bem conduzido. Alguns cuidados básicos:
- Revisão humana sempre, especialmente antes de algo tocar dados de clientes, pagamentos ou informações sigilosas.
- Nunca use dados reais e sensíveis só para “testar” um protótipo gerado por IA — vale o mesmo cuidado de LGPD de qualquer outro sistema (temos um post sobre IA generativa e LGPD que ajuda nesse ponto).
- Trate protótipo como protótipo: o que nasceu para testar uma ideia rápida não deveria, sem revisão, virar o sistema que roda a operação da empresa.
- Tenha alguém responsável por entender o que foi criado — mesmo que essa pessoa não tenha escrito uma linha, ela precisa saber explicar como funciona.
- Faça backup e monitore como faria com qualquer sistema novo — a origem do código (humana ou IA) não muda essa regra.
Faz sentido para o seu negócio?
Depende do que você vai construir. Para testar uma ideia ou criar uma automação interna simples, o vibe coding pode economizar tempo e dinheiro de verdade. Para sistemas dos quais a empresa depende para faturar, atender clientes ou guardar dados sensíveis, o caminho seguro passa por acompanhamento técnico — IA como acelerador, não como piloto automático.
O olhar da Verum sobre o assunto
Não existe exagero nem pânico aqui: vibe coding é uma ferramenta poderosa, e como toda ferramenta poderosa, exige quem saiba usar. Acompanhamos de perto esse assunto — não para vender modismo, mas para ajudar você a separar o que já entrega valor real do que ainda precisa de cuidado. É o mesmo cuidado que aplicamos em qualquer terceirização de TI: tecnologia que ajuda o negócio a crescer, sem abrir mão de segurança. Se você já tem (ou está pensando em ter) algum sistema nascido de conversa com IA rodando na sua empresa, vale uma conversa técnica antes de continuar. Fale com a Verum.
Perguntas frequentes
O que é vibe coding?
É criar software descrevendo o que se quer em linguagem natural para uma inteligência artificial, que gera o código sozinha — em vez de um programador escrever cada linha manualmente. O termo foi cunhado por Andrej Karpathy em fevereiro de 2025.
Vibe coding é o mesmo que “programar com ajuda de IA”?
Não exatamente. No sentido original do termo, vibe coding é aceitar o código da IA sem revisar. Usar IA para acelerar o trabalho de um programador que revisa e testa tudo antes de publicar é uma prática diferente, mais responsável — mesmo que também envolva inteligência artificial.
Vibe coding é seguro para uma empresa usar?
Pode ser arriscado se o código não passar por revisão humana. Estudos de segurança mostram que uma parte relevante do código gerado por IA carrega falhas conhecidas. Para protótipos e testes, o risco é menor; para sistemas que lidam com dados de clientes ou operações críticas, a revisão técnica é indispensável.
Vibe coding pode substituir a equipe de TI da minha empresa?
Não. Ele pode acelerar a criação de protótipos e automações simples, mas alguém precisa continuar entendendo, revisando e mantendo o que foi criado — principalmente à medida que o sistema cresce em importância para o negócio.
A Verum oferece um serviço de vibe coding?
É um tema que acompanhamos de perto para trazer valor real às empresas, com o cuidado técnico de sempre, assim que fizer sentido oferecer isso de forma estruturada. Enquanto isso, fale com a gente para conversar sobre IA e tecnologia no seu negócio.